Tribuna 40 anos: do papel ao digital

40 ANOS DE HISTÓRIA​

A reportagem especial “Tribuna 40 anos – do impresso ao digital” inaugura as comemorações de aniversário da Tribuna de Minas, fundada pelo empresário Juracy Neves. Até setembro, mês em que circulou a primeira edição do jornal, em 1981, uma série de matérias, entrevistas e minidocumentários vai trazer um pouco da história da Tribuna ao longo dos anos. A relação com os leitores, a parceria com as marcas e as empresas locais, as grandes reportagens e coberturas jornalísticas, além de muitas outras histórias, estão presentes nesses especiais. Nesta edição, o leitor poderá conhecer uma pouco da trajetória do jornal, que começou no papel, em preto e branco, e hoje também está presente na internet e nas mais importantes redes sociais. A Tribuna aproveita esse importante momento de sua história para reforçar seu compromisso com a difusão de informação confiável, isenta e opinião qualificada, norteada pelos princípios da democracia e da liberdade de expressão, buscando contribuir para a cidadania e o desenvolvimento social e econômico de Juiz de Fora e da região.

“Começamos a trabalhar dois meses antes da fundação do jornal. Junto com todos nós, um grupo bem relevante de estagiários da UFJF também foi convidado. Eles fizeram teste e seleção. A redação era formada por mais de 60 pessoas”
Renato Dias, então subeditor do jornal

CAPA DA EDIÇÃO 00 da Tribuna

“Um jornal novo nas ideias e objetivos”. A manchete que estampava a edição 00 da Tribuna de Minas apresentava o que viria a ser um dos principais porta-vozes de Juiz de Fora e região. Completando 40 anos em 2021, jornal continua exercendo sua missão de se reinventar e apresentar diferentes propostas aos seus leitores. Ao longo desta quatro décadas, a Tribuna se expandiu das páginas impressas para além delas. No papel, ao longo dos anos, seu jornalismo acompanhou o que tinha de mais moderno no país, sempre se adaptando às novas demandas sociais e tecnológicas que surgiram. Já na década de 1990, deu os primeiros passos no mundo digital e, desde então, ampliou seu alcance e está o tempo todo presente com aqueles que buscam informação de qualidade sobre Juiz de Fora e região.

Quando a Tribuna foi inaugurada, em 1º de setembro de 1981, o jornalismo de Juiz de Fora era ditado pelos veículos do antigo grupo Diários Associados – Diário Mercantil e Diário da Tarde . Era um época em que o juiz-forano tinha preferência pelos jornais do Rio de Janeiro. Antes do lançamento, a Tribuna realizou uma pesquisa em bancas da cidade, em julho de 1981. A preferência era para os jornais “O Globo” e o “Jornal do Brasil”. Para se inserir neste mercado, o médico e empresário Juracy Neves – que já tinha adquirido um ano antes o controle acionário da Rádio Sociedade de Juiz de Fora, na ocasião Super B-3 – movimentou-se em busca do melhor para o novo jornal, desde montar uma equipe comprometida até adquirir um maquinário próprio e de alta eficiência que daria vida às páginas impressas.

Nos primeiros passos para a fundação da Tribuna, Juracy adquiriu a Esdeva Empresa Gráfica para atender as demandas do jornal. A ideia também envolvia a busca por uma sede. A compra da gráfica – que realizava a impressão do jornal “Lar Católico” – ocorreu a partir de uma negociação com os padres da Congregação do Verbo Divino. A nova redação e a gráfica passaram a trabalhar onde hoje se situa a Biblioteca Esdeva (acrônimo de Verbo Divino).

Com o espaço, Juracy comprou também a moderna rotativa “Goss Community”, de Chicago (EUA). O equipamento era novidade na época, sendo capaz de reproduzir 14 mil exemplares por hora, tanto que uma das promessas do jornal era nunca ter menos de 16 páginas. Em 1983, com o então encerramento das atividades do Diário Mercantil e do Diário da Tarde, um novo maquinário Goss foi adquirido pela Tribuna.

Para a nova equipe do jornal, o trabalho também se iniciou meses antes da inauguração, em 1º de setembro de 1981. Muitos profissionais vieram, inclusive, dos Diários Associados. Os jornalistas Ivanir Yazbeck, Eloísio Furtado e José Carlos de Lery foram os responsáveis por unir os profissionais que viriam a atuar na Tribuna.

“Começamos a trabalhar dois meses antes da fundação do jornal. Junto com todos nós, um grupo bem relevante de estagiários da UFJF também foi convidado. Eles fizeram teste e seleção e foram trabalhar conosco. A redação era formada por mais de 60 pessoas, entre diagramadores, fotógrafos, estagiários, editores e repórteres”, conta Renato Dias, que foi convidado por Eloísio para trabalhar como subeditor geral. “Foi uma época interessante porque havia a proposta de um jornal de novas ideias e objetivos, como o slogan inicial, de revolucionar realmente a imprensa de Juiz de Fora, com a criação, inclusive, do diário de cultura que não tínhamos na época”, relembra.

Enquanto a equipe se estruturava, e antes mesmo de ser lançado nas bancas, os profissionais já trabalhavam madrugadas adentro em busca das histórias que viriam a pautar a Tribuna de Minas. “Eu fui o primeiro funcionário que começou a trabalhar na Tribuna. Dia 6 de julho, eu já estava à disposição. A Tribuna ainda não existia, mas eu ia na redação todos os dias”, conta Ronaldo Dutra, então editor de notícias nacionais e internacionais. “Ficava lá até a hora que podia. Quando era meia-noite, uma hora da manhã, me dispensavam e eu ia embora. Nós editávamos páginas experimentalmente. Finalizávamos (o jornal), mas não imprimia. O pessoal começou a ser contratado até formar a equipe toda, e a primeira edição da Tribuna saiu no dia 1º de setembro de 1981.”

 

'Dar voz ao povo da região: ouvir, sentir e interpretar as suas mais legítimas reivindicações'

Na solenidade de inauguração da Tribuna, em 8 de setembro de 1981, Juracy Neves já ressaltava o principal propósito do novo jornal: ” (…) dar voz ao povo da região: ouvir, sentir e interpretar as suas mais legítimas reivindicações. Conscientizar esse conjunto de comunidades de que a união em torno dos mesmos, e maiores objetivos, pode e deve dar resultados práticos a curto prazo”. A fala do fundador do jornal foi extraída do livro “O homem da planície – vida, obra e ideias de Juracy Neves”, escrito pelo editor-geral da Tribuna, Paulo César Magella.

Antes mesmo da inauguração da Tribuna, nos bastidores, a informação era de que os Diários dos Associados deixariam de funcionar, o que trazia uma preocupação quanto ao futuro do jornalismo na cidade. “O Juracy tinha muito mais informação do que nós a respeito dos planos dos Associados de fecharem o jornal do interior. Tinha jornal dos Diários Associados no Brasil inteiro, e eles foram fechando um por um de todos os jornais que eles consideravam deficitários”, explica Ronaldo. “O ideal do Juracy era que a cidade não ficasse sem jornal. Juiz de Fora tinha, além dos Diários, mais alguns jornais, como a Gazeta Comercial, a Folha Mineira, a Folha da Tarde. Eram outros jornais que circulavam também, mas foram fechando aos poucos porque, para justificar o nosso apelido de ‘carioca do brejo’, o juiz-forano tinha muito mais preferência em comprar jornais do Rio.”

Com os 40 anos do jornal em 2021, muitos da primeira equipe também completam 40 anos de profissão. Foram profissionais que deram os primeiros passos, cresceram junto com a Tribuna e encontraram novas paixões no jornalismo. As primeiras equipes mantinham pluralidades de gerações, tanto de repórteres de texto quanto fotográficos. Neste último grupo, se enquadra Humberto Nicoline, que não só entrou logo após ter se formado pela UFJF, como foi o primeiro fotógrafo cuja graduação era em Jornalismo.
“Naquela época, os fotógrafos dos jornais não eram formados. Eram todos autodidatas, filhos de fotógrafos, entre outros. Eu tinha uma noção de fotografia e fiquei sabendo que estavam precisando de fotógrafo, e que as vagas para repórter de texto estavam preenchidas. Eu me aventurei, confesso que com o objetivo de que, no futuro, me tornasse repórter de texto, mas aconteceu o efeito contrário: eu me apaixonei pela fotografia.”

Na época, era preciso revelar o filme em uma câmara escura, mergulhando o papel em três banhos – revelador, interruptor e fixador. Depois desse processo, as cópias das fotos eram colocadas em chapas de alumínio para realizar a impressão dos jornais impressos. Por mais que o trabalho para revelar as fotos era mais complexo do que atualmente – onde as câmeras digitais facilitam o trabalho -, de acordo com Humberto, a essência da fotografia e a capacidade de transmitir informações por meio de uma imagem se mantém, independente do meio utilizado.

“Existia na redação um ar de cooperação, de nascimento de um novo jornal e isso era um combustível para todo mundo ficar unido. Existia uma cooperação de todos para aprender”, diz Humberto. “Com o tempo, fui trabalhando e senti que estava fazendo história. Eu sentia isso no meu coração.”

“ (…) dar voz ao povo da região: ouvir, sentir e interpretar as suas mais legítimas reivindicações.
Conscientizar esse conjunto de comunidades de que a união em torno dos mesmos, e maiores objetivos, pode e deve dar resultados práticos a curto prazo”,
defendeu o fundador da Tribuna, Juracy Neves

A história contada pela Tribuna

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